Caramba! Eu Estou Ficando Velho

Aposto que você entendeu esta interjeição no início do título como algo negativo, não? Como uma expressão de revolta ou até de desespero. Lamento informar-lhe que você está equivocado(a). Esta interjeição, na realidade, é de entusiasmo, de alegria. Bem, muito provavelmente você está duvidando disso. Vou tentar explicar!

Começarei com um argumento direto e infalível: qual é a única alternativa que nós temos para o envelhecimento? Arrá! Você ficou sem contra-argumentos, não é? Não vale apelar para o botox ou outras artificialidades. Eu estou falando sobre o envelhecimento genuíno! Original! Pois bem, se a única alternativa que temos para o envelhecimento é a morte, porque eu devo encará-lo como algo negativo? Porque eu devo ficar triste ou revoltado? Se eu estou ficando velho é porque eu ainda não morri! Portanto, eu devo interpretar este fato como um sinal de que eu ainda tenho oportunidades nesta vida, não como um fardo!

Eu costumo utilizar uma analogia para consubstanciar esta dialética: imaginemos a vida como uma imensa montanha. Por exemplo, a imaginemos como a mais alta montanha que nós temos em nosso planeta, o Monte Everest, com os seus 8.848 metros. Agora, como um exercício, só por brincadeira, vamos imaginar que cada ano da vida seja representado por uma determinada quantidade de metros na altitude desta montanha. Vamos imaginar ainda que o topo desta montanha, que fica, como eu já disse, a 8.848 metros, representa o limite da vida aos 88 anos (a não ser que você seja um dos longevos que ultrapassam os 100 anos de idade, este limite está bem razoável, não?).

Bem, após tanta imaginação, provavelmente você já imaginou aonde eu quero chegar. Ou então, deve estar achando que eu estou “cheiradão” ao escrever este texto. Garanto-lhe que não é o caso! O máximo que eu poderia estar é com algumas doses de uísque “na idéia”, mas também não é o caso. Eu estou 'a seco'!

Voltando à minha analogia: de acordo com ela, cada ano que nós vivemos, com todas as coisas boas que a vida nos proporciona, mas também com todas as mazelas, representaria a escalada desta quantidade de metros na montanha. Nesta escalada há trechos aprazíveis, pela vista deslumbrante , outros, porém, bem penosos, trechos íngremes e pedregosos que devem ser percorridos para se chegar ao topo. Nela, muitos desistem no meio do caminho ou são eliminados pelas quedas, avalanches ou intempéries. Na vida acontece a mesma coisa: muitos ficam pelo caminho, uns morrem ainda na infância, outros na juventude, outros na madureza e outros na chamada meia-idade. Há aqueles que chegam ao topo, morrem na velhice!

Neste contexto, o sentimento que eu devo ter para com aqueles que estão acima de mim nesta escalada é de admiração. Não há outro! Afinal, ele já venceu trechos que eu ainda terei que vencer se quiser chegar lá, já passou por obstáculos que eu ainda terei que passar. Ele está mais próximo do topo do que eu.

Outrossim, eu não devo me sentir inferior àqueles que estão abaixo de mim, pois eles ainda terão que cumprir etapas que eu já cumpri para chegar onde eu estou. Certamente, que eu não estou defendendo aqui um sentimento de prepotência, de considerar-me superior a eles. Mas, sim, proclamando a minha consciência do valor que eu tenho pelo que sou e pelo que represento, não somente pela quantidade de anos já vividos mas também, e principalmente, pelas lições aprendidas.

Por conseguinte, convido-lhe a entender o título deste ensaio desta forma: “Oba! Eu Estou Ficando Velho. Que Bom!!!”.

E quero ficar muito mais ainda! Se possível, chegar ao topo desta montanha!

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