Sexo: Instinto Animal ou Conexão Com a Divindade?

Às vezes, em meus momentos de inquietações filosóficas, eu me questiono: como pode algo que, por um lado, nos eleva ao mais alto grau da beatitude, por outro lado nos rebaixa ao nível mais inferior da depravação moral? Sim, como é possível que uma necessidade basicamente fisiológica possa ocasionalmente nos conduzir a dois extremos de comportamentos tão opostos?

Não sou sexólogo, filósofo, sociólogo, psicólogo e muito menos psicanalista, mas tenho a minha opinião e vou me permitir exercitá-la neste ensaio.

Vou começar pelo básico: o sexo, na sua concepção primária, existe meramente para que seja garantida a perpetuação das espécies, como todos nós estamos cansados de saber. Daí a tendência instintivamente animal para este ato.

Porém, o humano na sua racionalidade e criatividade, o adequou também para o seu prazer, na maioria das vezes somente para o seu prazer. Ótimo, ele realmente é uma bela fonte de prazer! Mas é justamente aí que mora o perigo: em tudo que envolve prazer se não se impor limites, se não houver disciplina, acaba-se descambando para o exagero. E em todas as circunstâncias em que o exagero se faz presente, a qualidade se retira. Desta forma, a tendência é que ocorram atos sexuais, alguns nem deveriam ser chamados como tais, sem qualquer limite moral.

Sabemos que há casos que chegam à aberração, à bestialidade. Nestes casos, fica até difícil de acreditar que alguém possa ter algum tipo de prazer estando de posse plena da sua sanidade mental! Bem, caro leitor, para poupar a minha mente e a sua sensibilidade de cenas tão grotescas, mesmo que sejam somente na imaginação, obviamente que eu não vou entrar em detalhes descritivos. O objetivo deste parágrafo é tão somente evidenciar situações do cotidiano, que de fato existem.

Eu concordo que no sexo, como em tudo na vida, a criatividade é fundamental. Ela, inquestionavelmente, pode e deve ser utilizada para fomentar a libido e aumentar o prazer. Mas concordo também que no sexo, como em tudo na vida, há limites tácitos que não devem ser ultrapassados. Fronteiras que devem ser respeitadas. Não sendo, certamente ocorrerão degradações moral, física e psicológica.

Vale aqui uma ressalva para dizer que o meu intuito com este texto não é posar de arauto da moralidade, até porque não me vejo em condições morais para tal. Como qualquer humano, eu também tenho os meus pecadinhos. O objetivo é colocar o assunto em pauta, como uma discussão filosófica, para que possamos refletir sobre ele e possivelmente revermos os nossos conceitos na tentativa de nos tornarmos melhores.

Feita a devida ressalva, vamos agora ao outro lado da moeda.

Sendo o sexo uma união de dois corpos (alguns preferem aumentar esta quantidade, mas não vou entrar neste mérito) que de antemão demonstraram predisposição para o ato (obviamente que eu estou me referindo aos casos consensuais), só poderia resultar em algo bom. Agora, quando além da união dos corpos, há uma conjunção dos espíritos, ah!, aí é literalmente o paraíso. Quando esta sinergia se faz presente ocorre um estado de transcendência tal que não há palavras que possam descrevê-lo.

Nesta comunhão, o ato se torna o que de fato ele é na sua essência: divinal. Algo que na sua delicadeza e suavidade nos aproxima mais da Divindade, nos eleva na escala da angelitude, consequentemente nos tornando menos animais.

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