Um Ensaio Sobre o Vento

De todas as coisas da Mãe Natureza o que, talvez, não!, certamente, mais me fascina é o vento. Não sei explicar bem o porquê, mas é no vento que eu percebo melhor a completude da Divindade.

Talvez pelo seu mistério: nós não temos uma imagem do vento que não seja àquela que aprendemos desde a nossa infância, que é a da nuvem transfigurada em uma face humana com as suas bochechas infladas a soprar.

O vento não tem um “rosto”, uma identidade, como têm o sol, a lua, a mata, o mar, as geleiras, os vulcões,...

Do vento, nós percebemos a presença somente pelos seus efeitos, em nós ou no que nos cerca.

Por isto ele me fascina tanto. Neste pormenor, ele se assemelha muito a Deus, o Nosso Pai Criador. Dele, tal qual o vento, não há imagem para nos dizer como Ele é. Ele, também desde criança, nós O vemos como um senhor de barbas brancas e longos cabelos também brancos, com um semblante austero e bondoso ao mesmo tempo.

Quando sinto uma suave brisa acariciando a minha face, principalmente, naqueles momentos de dificuldades, em que nós, muitas vezes tristes e alquebrados, achamos que não conseguiremos vencer os obstáculos que ora se interpõem em nosso caminho, a sensação que eu tenho é como se Deus estivesse me beijando e dizendo “filho meu, tenha força, pois Eu te amo”.

A sensação de leveza, de alento, que se apossa do meu ser nestes momentos é indescritível.

Por mais que eu tente transformá-la em palavras, não conseguirei. O mais próximo que eu posso chegar nesta descrição é dizendo que eu fico em um estado de graça de tal forma que sinto a sua presença ao meu redor, em 360 graus, me envolvendo, como se Ele e o vento fossem uma única Entidade. E, é bastante provável que o Sejam.

Enfim, não sei se eu consegui passar neste texto o que sinto em minha relação com o vento. Mas, de uma coisa eu tenho certeza: a vida para mim seria muito mais árdua se ele(Ele) não existisse!

          [Retornar]