Viajando...

(Este texto foi escrito para Mary Gomes em Outubro/2000)

Você desafiou-me a escrever sobre viagens. Bem, são tantas possíveis que eu não sei por onde começar. Mas tudo bem. Como tem que se começar de alguma forma, eu começarei assim...

Viagens em geral são agradáveis. Por exemplo, viajar para Cancun é super legal. Você não acha? E que tal Fernando de Noronha? Egito? Grécia? Tibete? Isla Margarita? Enfim, são tantas as opções que mesmo se levássemos a vida inteira viajando dificilmente conheceríamos cada cantinho deste nosso planeta. Mas, com certeza devemos procurar conhecer o máximo que o tempo nos permite, e o dinheiro disponível também.

Porém, existem outras viagens que ao meu modo de ver não são tão agradáveis assim. Viagens essas proporcionadas por um certo pozinho branco cheirado em carreirinha, ou injetado direto na veia, ou por umas folhinhas secas trituradas como fumo, ou... É, infelizmente as opções também são amplas. Estas viagens nos levam ao “paraíso”. Estou fora! Ao paraíso eu só pretendo ir quando morrer.

Também tem aquelas viagens que geralmente se faz acompanhado de amigos, que é a viagem proporcionada pelas “louras geladas”. Viagem sem limite de tempo. Muita conversa jogada fora. Muita besteira. Muita filosofia. E muito desabafo. Estou dentro!

E a viagem ao nosso próprio ser interior? Que nos permite conhecermo-nos melhor, dimensionando as nossas qualidades, fraquezas, defeitos, força, e potencial de auto avaliação.

Existem também os nossos devaneios, que costumam ser viagens super gostosas. Ninguém sonha acordado com coisas ruins. Não é verdade?

E que tal uma viagem pelo espaço, realidade que não está tão distante assim. Já se imaginou indo passar uma temporada em Marte?

Ou talvez você preferisse uma viagem ao fundo do oceano, em um submarino todo transparente, para que se pudesse apreciar toda a imensidão de suas profundezas.

Mas, de todas as viagens existe uma que eu considero o máximo. Nesta viagem eu me transporto para qualquer cantinho deste ou de qualquer outro planeta. Nela eu me vejo no paraíso. Nela eu filosofo, desabafo, faço besteiras, e jogo alguma conversa fora. Nela eu dimensiono na medida exata as minhas qualidades, fraquezas, defeitos e força. Nela com toda certeza eu fico em devaneios. Nela eu me sinto um Deus, um rei,...eu me realizo por inteiro.

É a viagem que eu realizo no teu corpo.

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