2012


Cenário: uma mesa de bar, dois amigos de longa data e incontáveis horas de bate-papo - entre assuntos banais e outros um tanto filosóficos - e a melhor das companheiras para estes momentos de descontração: a eterna “loura gelada”, ladeada por apetitosos petiscos.

Quebrando um silêncio que já perdurava por alguns minutos, desde o primeiro pedido ao garçom, um dos amigos diz, um tanto absorto em seus próprios pensamentos:
− É...! Eu confesso que tenho estado um pouco apreensivo e temeroso nestes últimos meses. Preocupa-me e me inquieta bastante a grande transformação que está prevista para ocorrer no ano que vem. Decisivamente, o ano de 2012 representará o início de uma nova fase existencial!
− Bobagem! − retruca o outro, sem demonstrar muito interesse pelo assunto suscitado.
− Bobagem!? Não sei não! A coisa não é assim tão fácil! Trata-se de um assunto com o qual todos deveriam preocupar-se! É um momento crucial na vida de todos nós! Afinal de contas, não haverá retorno!
− Não acredito nisso! Eu acho que nada muda. Tudo continua como antes.
− Mas é claro que muda! Como você pode pensar assim!? Será um momento decisivo, um divisor de águas!
− Bobagem! − repetiu o outro.

Seguiram-se mais alguns minutos de um silêncio constrangedor na mesa, interrompido, vez em quando, apenas pelos ruídos dos copos. Até que o primeiro retornou ao assunto:
− Por mais que você ache uma bobagem, eu não posso deixar de me preocupar com a questão!
− Você se preocupa a toa!
− Não sei não. Quando penso que já está tão perto, que o ano de 2012 já está “batendo à porta”, a minha apreensão aumenta cada vez mais. Isso pode realmente ser besteira minha, mas eu não consigo me abstrair do assunto.
− (muxoxo)
− Não acredito que seja tão banal quanto você imagina. É um acontecimento bastante significativo. Não podemos prever exatamente como será após a sua ocorrência.
− Pô, meu camarada! Deixa disso!
− Não! Não dá para fazer de conta de que nada vai acontecer! Eu não consigo parar de pensar nisso. Talvez as coisas mudem para melhor, talvez não. Fica difícil prever os seus efeitos na vida da gente.
− Ahn!?...
− Tudo bem! Talvez eu esteja errado! Talvez eu esteja preocupando-me à toa com esse assunto! Talvez o melhor a fazer seja deixar rolar e quando acontecer ver as suas conseqüências! Mas, por mais que eu tente, não consigo parar de pensar nisso! E, o pior, quanto mais o tempo passa e mais se aproxima o momento, menos eu me sinto preparado para encará-lo. E isto está se tornando uma angústia em minha vida. Não sei mais o que fazer. Como me preparar para a situação.
− Cara, chega!!! Não acredito que uma pessoa sensata e inteligente como você acredita nessa baboseira de que o mundo acabará no ano de 2012!
− Hein!?...
− É isso mesmo! Essa história de fim do mundo é balela! Não é a primeira vez, e nem será a última, que inventarão esse papo. A última data limite que deram para a vida neste planeta foi o ano de 2000, lembra-se? Nós crescemos ouvindo dizer que o mundo acabaria neste ano. E aí, o que aconteceu? Pois é, já estamos em 2011 e nada mudou! Portanto, pare com esse papo idiota de fim do mundo e me deixe curtir sossegado a minha cerveja!
− Qual é mané! Que papo é esse de fim de mundo?! Quem está falando disso?! Eu estou falando é sobre a minha aposentadoria, que será em 2012, ano que vem!

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