Afinal, A Final

– Que sufoco hein! – exclamou alguém para os amigos na mesa.

– Podes crer, mas foi um jogaço! Tudo bem que sofremos bastante. Entretanto, com sofrimento a emoção pela vitória no final se torna melhor. – retrucou um outro.

Este diálogo entabulou-se no Bar do Joaquim, que ao contrário do que possa parecer não se trata de um irmão d'além mar, mas sim de um cearense boa-praça que se estabeleceu no nosso Rio de Janeiro há mais de trinta anos e que tem um barzinho bem típico de subúrbio e bastante agradável no bairro da Tijuca: a cervejinha vem sempre na temperatura ideal e há excelentes petiscos para acompanhamento. O jogo comentado era a 1ª Semifinal do Campeonato Mundial de Futebol de 2014, que havia acabado de ser disputada pela seleção canarinho e a da Alemanha. Placar final: 4 x 3 para o Brasil, sendo que até os 35 minutos do segundo tempo estava 3 x 1 para a Alemanha, ou seja, a seleção pentacampeã havia virado o jogo marcando três gols nos 10 minutos finais, realmente foi um tremendo jogo. Agora era relaxar e esperar o dia seguinte para saber quem seria o adversário na Grande Final do dia 14 de julho.

– Tarcísio, manda mais uma gelada aí pra gente relaxar! Mas, ó, daquelas bem nevada! – reivindica o primeiro.

– Cara, tô precisando mesmo beber mais umas cervejas. Este jogo foi terrível. Foi um ótimo teste para o coração de qualquer um! – exclamou um terceiro.

– Que tal mais uma porçãozinha de linguiça acebolada? – pergunta o segundo, e sem aguardar resposta grita 'Tarcísio, manda outra calabresa no capricho! E traz também mais um caldinho de mocotó para dar um reforço', e dirigindo-se aos companheiros pergunta 'E aí, quem vocês acham que ganha amanhã?'.

– Vai dar Inglaterra. O Uruguai só chegou à semifinal por pura sorte. Pegou a Argentina toda desfalcada nas quartas. – respondeu de bate-pronto o terceiro.

– Eu também acho. – emendou o quarto que até então estava calado, talvez recompondo as suas emoções – há muito que o Uruguai deixou de ser uma potência do futebol.

E assim o papo continuou rolando, sem hora para terminar, como condiz a todo bom bebedor de cerveja, principalmente quando há algo de bom para se comemorar. E a classificação para a Final deste campeonato, disputado em casa, após o fracasso 2010 na África do Sul, era motivo de sobra para beber até de madrugada.

O Brasil batalhou muito até conseguir ganhar a disputa para sediar esta Copa. Sendo a única seleção pentacampeã, pesava contra ele a questão da violência. Motivo de tormento por décadas para a população, a violência, porém, teve em seu índice uma diminuição bastante considerável, resultado das medidas adotadas pelos governos das três instâncias.

– Pessoal, sabe o que eu lembrei agora? – falou o quarto, agora já totalmente refeito, para os demais – a Final da Copa de 1950. Aquela fatídica derrota para o Uruguai dentro de casa. – emendou.

– Isola pô! – exclamou o segundo – agora a realidade é outra. E de mais a mais o Uruguai primeiro tem que passar pela Inglaterra amanhã, o que é praticamente impossível, do jeito que ela está embalada. Aliás, ela vai ser páreo duro para a gente na Final.

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Dia seguinte. Final de jogo. Placar: Inglaterra 1 x 3 Uruguai.

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